Agroecologia Urbana e Segurança Alimentar

finalista 2011

Instituição
Sociedade Ecológica Amigos de Embu (SEAE)
Endereço
Av. João Batista Medina, 358 - Centro - Embu/SP
E-mail
b_cavalcante@hotmail.com
Telefone
(11) 4781-6837
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Bruno Cutinhola Cavalcante(11) 4781-6837b_cavalcante@hotmail.comArticulação Paulista de Agroecologia, Rede de Agroecologia da Guarapiranga, Articulação Paulista de Segurança Alimentar e Nutricional
Resumo da Tecnologia

São desenvolvidas hortas orgânicas comunitárias, oficinas e cursos de assistência técnica, com foco em agroecologia, permacultura, segurança alimentar e nutricional, agricultura orgânica, economia solidaria e educação ambiental, junto às populações vulneráveis, através da educação popular.*{ods2},{ods3},{ods13},{ods15}*

Tema Principal

Alimentação

Tema Secundário

Meio ambiente

Problema Solucionado

Os participantes passam a ter acesso aos alimentos orgânicos produzidos nas hortas, melhorando a qualidade alimentar e nutricional de toda a família. Os espaços comunitários das hortas são utilizados de forma terapêutica, auxiliando no tratamento de pacientes com problemas psicológicos, neurológicos e dependências químicas. A expansão das ações de agricultura urbana e periurbana nos moldes agroecológicos auxilia no combate às áreas de riscos, proteção às áreas de mananciais, ampliação de áreas verdes e da biodiversidade, no aumento da infiltração de águas pluviais no solo, requalificação de áreas degradadas, requalificação da paisagem da cidade, reutilização de resíduos sólidos para estruturas de agricultura urbana, aproveitamento integral de resíduo para produção de composto orgânico, etc. Além disso, o envolvimento nas atividades desenvolvidas contribui para o complemento da renda familiar, tanto pela geração indireta de renda devido à redução do gasto mensal com alimentos, como pela geração de trabalho e renda por meio da comercialização dos alimentos produzidos nas hortas. O trabalho coletivo desenvolvido também contribui para a socialização e autonomia do grupo.

Objetivo Geral

Promover inserção socioeconômica, combate à fome, segurança alimentar e nutricional, educação socioambiental, resgate do saber popular, geração de trabalho e renda e a economia solidária com ênfase na produção orgânica/agroecológica, através de processo educativo de forma participativa.

Objetivo Específico

- Sensibilização e mobilização das famílias por meio de processos multiautorais de diagnóstico e planejamento estratégico para a ação em agricultura urbana e agroecologia; - Capacitação das famílias beneficiadas pelo projeto através da difusão de técnicas de: (a) produção agroecológica de hortaliças, lavoura, ervas medicinais, frutíferas e perenes; (b) princípios de segurança alimentar e nutricional e a importância da agricultura urbana para sua promoção; (c) práticas de aproveitamento integral dos alimentos; (d) princípios e práticas de economia solidária e autogestão da produção; (e) educação socioambiental; - Implantação de sistemas produtivos agroecológicos adaptados à realidade local; - Sistematização contínua do processo, possibilitando sua replicação em outros locais.

Solução Adotada

O primeiro passo é a sensibilização e mobilização das famílias inseridas no projeto por meio de processos multiautorais de diagnóstico e planejamento estratégico para a ação em agricultura urbana. Na sequência, realiza-se uma capacitação das famílias participantes do projeto, processo em que todos os envolvidos participam de um curso gratuito e aprendem a montar hortas comunitárias orgânicas. A capacitação das famílias participantes pelo projeto se dá por meio da difusão de: (a) técnicas de produção agroecológica para hortaliças, lavoura, ervas medicinais, frutíferas e perenes; (b) princípios de segurança alimentar e nutricional e a importância da agricultura urbana para sua promoção; (c) práticas de aproveitamento integral dos alimentos; (d) princípios e práticas de economia solidária e autogestão da produção; (e) educação socioambiental. Todo o processo educativo do curso ocorre de forma participativa, cooperativa e comunitária, com ênfase na educação socioambiental e no resgate do saber popular sobre a produção orgânica/agroecológica. O resultado final é a implantação de sistemas produtivos agroecológicos adaptados à realidade local. O público-alvo do projeto são famílias que têm horas livres na semana, que realizam outros trabalhos esporádicos e podem nos períodos livres trabalhar na horta. As hortas comunitárias permitem que as famílias produzam alimentos tanto para o consumo próprio quanto para geração de renda por meio da comercialização do excedente. Como forma de viabilizar a comercialização do excedente o empreendimento solidário Elo da Terra comercializa, há mais de um ano, os produtos agroecológicos em uma banca próxima à entrada do Parque do Lago Francisco Rizzo (centro da cidade de Embu), todas as quartas-feiras pela manhã. Com isto, os munícipes também se beneficiam com esta tecnologia, pois consomem alimentos orgânicos, frescos, de origem conhecida e por um preço justo, fortalecendo o coletivo de agricultores urbanos do Elo da Terra. Também há a comercialização dos produtos provenientes das hortas em outras feiras, além das vendas diretas e as realizadas na Feira Regional de Economia Solidaria. Como forma de ampliar o alcance das hortas, foi realizada uma parceria entre os vendedores de garapa (cana) e a comunidade, envolvendo a doação dos bagaços de cana para as composteiras das hortas comunitárias, permitindo a produção de adubo e evitando o envio destes resíduos ao aterro sanitário. Outra ação realizada foi o estabelecimento de parcerias com as Unidades Básicas de Saúde, que colaboraram com a busca de terrenos e contribuíram para a mobilização das comunidades. Atualmente as hortas são desenvolvidas em terrenos públicos e privados, em parceria com associações de moradores, escolas da rede pública, unidades básicas de saúde, entre outros. Esta tecnologia social representa uma aproximação entre governo federal, municipal e sociedade civil organizada, nas áreas da saúde, educação, trabalho, agricultura, assistência social e meio ambiente, promovendo a intersetorialidade do projeto e contribuindo para a promoção da saúde, a segurança alimentar e nutricional da população e a produção agroecológica de alimento em meio urbano. Por conta do sucesso das primeiras hortas, foi realizada a implantação de hortas agroecológicas em escolas, unidades básicas de saúde, associações, sociedades amigos de bairros em diversos bairros do município. Por fim, cabe citar outro ponto de extrema relevância e que contribui com o reconhecimento das atividades de agroecologia urbana e segurança alimentar desenvolvidas no município de Embu: a aproximação com Universidades Públicas como USP (Universidade de São Paulo), UNESP (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”), entre outras.

Resultado Alcançado

Na 1ª fase foram capacitadas cerca de 840 pessoas e implementados três sistemas produtivos (um no Parque do Lago Francisco Rizzo, região central, e dois no bairro de Itatuba, localizado na área de proteção ambiental APA Embu Verde) com hortas, lavouras e sistemas agroflorestais - SAF. Também ocorreu a formação de um empreendimento solidário chamado “Elo da Terra” e a publicação da cartilha “Agricultura Urbana na Prática”. Atualmente são desenvolvidas atividades de capacitação em diversos bairros do município, em 13 hortas comunitárias desenvolvidas em parceria com unidades básicas de saúde – UBS, centros de referência de assistência social – CRAS, associações de moradores, sociedade amigos de bairro – SAB, escolas da rede pública de Ensino, etc. O trabalho ocorre em conjunto com várias secretarias municipais. Com a secretaria municipal de saúde estão envolvidos os funcionários das UBS dos programas saúde da família e de grupos de hipertensos e diabéticos. Com a secretaria municipal de assistência social a parceria ocorre por meio do programa de segurança alimentar, do banco de alimentos da diretoria de seguridade social e pelo acompanhamento das assistentes sociais nas assistências técnicas realizadas nas hortas pelos técnicos da SEAE. Outras secretarias municipais que participam desta ação são a de participação cidadã, a de educação e a de desenvolvimento urbano. Junto às comunidades em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar são realizadas atividades com ênfase na produção e comercialização (geração de trabalho e renda) e educação. Atualmente, participam das atividades nas hortas comunitárias cerca de 240 famílias em situação de vulnerabilidade social, beneficiárias ou não de outros programas sociais, além de pessoas interessadas pelas temáticas abordadas nas atividades. Além dos trabalhos nas hortas comunitárias, também são realizadas palestras, cursos, seminários e encontros temáticos nas áreas correlatas, envolvendo um maior número de pessoas. Um exemplo desta atividade foi o I Encontro Intermunicipal de Agroecologia, realizado em Embu em março de 2011, reunindo cerca de 200 pessoas de 16 municípios de São Paulo.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Embu / São Paulodiversos11/2008
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Famílias de baixa renda
Alunos do ensino médio
Alunos do ensino fundamental
Quantidade: 240
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenador Geral1
Gestor Organizacional e de Comunicação1
Coordenador de Comunidades2
Assistente de Campo2
Voluntários e/ou estagiários2
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Para desenvolver uma horta comunitária, são necessários materiais permanentes (ferramentas e equipamentos agrícolas como: enxadas, pás, carrinho de mão, enxadão, facão, forcado, regador, sacho, cavadeira, triturador, roçadeira, estufa), além de materiais de consumo (como sementes, mudas, adubo e composto orgânico, etc.). Também são necessários equipamentos tecnológicos (como: laptop, datashow, câmera fotográfica, filmadora, telão, gravador, aparelhos de som, etc.) utilizados em cursos, palestras, reuniões, rodas de conversa, encontros e seminários realizados nos espaços internos, além de liquidificadores e demais componentes de cozinha para a realização das atividades da oficina de aproveitamento integral. São necessários materiais de papelaria para as capacitações. Os recursos financeiros podem ser investidos em promoção e divulgação da iniciativa na mídia. Contribui com a realização dos trabalhos dos técnicos a disponibilidade de um automóvel tipo Kombi, capaz de transportar grupos de pessoas e ferramentas, ou uma caminhonete, para o transporte de equipamentos mais pesados.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Para implementar uma tecnologia social com foco na agroecologia urbana e segurança alimentar em um município de aproximadamente 240 mil habitantes, em que são envolvidas cerca de 240 famílias e implementadas 13 hortas comunitárias, são necessários, aproximadamente, R$ 200.000,00 para o período de um ano, contando com uma equipe reduzida e com visitas semanais/quinzenais.

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Prefeitura da Estância Turística de Embu das ArtesApoio financeiro, articulação e intersetorialidade
Impacto Ambiental

A expansão da agroecologia contribui com o combate às áreas de riscos, a proteção às áreas de mananciais, a ampliação de áreas verdes e da biodiversidade, o aumento da infiltração de águas pluviais no solo, a requalificação de áreas degradadas, a requalificação da paisagem da cidade, a reutilização de resíduos sólidos para estruturas de agricultura urbana, o aproveitamento integral de resíduo para produção de composto orgânico, etc., além de transformar espaço ocioso em espaço produtivo.

Forma de Acompanhamento

Todos os grupos que participam das hortas comunitárias recebem visita semanal ou quinzenal dos técnicos do projeto. Também são realizados eventos extras, como encontros temáticos, seminários, oficinas e visitas a outras experiências, atividades que contribuem para a capacitação dos participantes, bem como para a troca de experiência entre todos os agricultores urbanos do município. Todas as visitas realizadas pelos técnicos educadores são fotografadas e relatadas em relatório padrão.

Forma de Transferência

Todo o trabalho de agroecologia, agricultura urbana e segurança alimentar desenvolvido no município tem sido registrado e sistematizado desde o início, tornando possível a transferência dos conhecimentos técnicos à qualquer outra comunidade. Além disso, a equipe apoia suas ações em materiais didáticos elaborados pela Organização das Nações Unidas, Rede de Tecnologias Alternativas de Belo Horizonte, Ministério do Desenvolvimento Social e do Instituto Pólis, materiais que podem ser partilhados com os interessados. A equipe também disponibiliza gratuitamente duas publicações didáticas de sua autoria que podem ser utilizadas juntos às comunidades interessadas. Estão disponíveis registros fotográficos, filmagens, documentários e documentos como relatórios de campos, questionários e dinâmicas.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
Cartilha que relata a experiência de Embu e apresenta tecnologias sociais que podem ser replicadas. Para todos os públicos.Baixar
Cartilha com técnicas agroecológicas para serem aplicadas na cidadeBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

“Como eu estava num processo de reencontro comigo mesmo, de resgate com o convívio social, passei a voltar a compreender as diferenças das pessoas, a respeitar o próximo. No uso do álcool, a gente se afasta das pessoas, passamos a viver em outro mundo, num mundo só nosso, ocorre um isolamento. Com a ausência do álcool em nossas vidas, temos que encontrar outras atividades que substituam o álcool. Com a horta consegui fazer esta substituição. Comecei a visualizar novas oportunidades profissionais. O álcool nos alimenta e quando paramos, ou redescobrimos novas possibilidades ou voltamos para o álcool." Rubens “A agricultura urbana é uma maneira de evitarmos que as pessoas deixem de recorrer ao sistema de saúde porque pela horta as pessoas têm acesso a uma alimentação saudável." Alcides