Agroextrativismo, uma Alternativa Sustentável para a Agricultura Familiar

finalista 2003

Instituição
Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (ASSEMA)
Endereço
Rua da Prainha, 551 - São Benedito - Pedreiras/MA
E-mail
assemaproducao@assema.org.br
Telefone
(99) 3642-2061
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Francinaldo Ferreira de Matos(99) 3642-2152assemacomercio@assema.org.br
Ronaldo Carneiro de Sousa(99) 3642-2061ronaldocsousa@ig.com.br
Valdener Pereira Miranda(99) 3642-2061valdenerp@hotmail.comSkype: valdenerm
Resumo da Tecnologia

Agroextrativismo é um sistema de produção que combina a agropecuária com o extrativismo do coco babaçu, alicerçado em princípios ecológicos, sociais, ambientais, econômicos, políticos, culturais e éticos.*{ods2},{ods3},{ods8}*

Tema Principal

Alimentação

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

O sistema de produção agroextrativista se apresenta como alternativa ao sistema de produção de pousio dominante na microrregião Médio Mearim, caracterizado pelo corte e queima da vegetação, queimada, plantio, pousio e rotação do local de cultivo. Assim como à promoção da destruição dos babaçuais nas áreas de roças. É também alternativa ao sistema de criação extensiva de bovinos, caracterizado pelo uso extensivo de terras para pastagens com manejo (manual, mecânico e químico) que provoca devastação dos babaçuais e dos recursos hídricos. O babaçu é tido, de forma comprovada, como conforto térmico animal, utilizando os espaçamentos corretos.

Objetivo Geral

Desenvolver uma proposta de produção alternativa para os agricultores familiares, de forma sustentável a médio e longo prazo. (Mínimo e baixo impacto)

Objetivo Específico

Praticar e utilizar princípios agroecológicos (socioambiental econômico e cultural); Contribuir para a diversificação de alimentos, aumento da produtividade da produção familiar e autoabastecimento familiar; SAN (Segurança Alimentar e Nutricional) Promover um sistema de produção que leve em conta os cuidados com o meio ambiente, (comunidades de vida) diminuindo gradativamente as queimadas e eliminando o uso de agrotóxicos; Promover um sistema de produção que leve em conta as questões de gênero dentro da agricultura familiar; Promover um sistema de produção diversificado que combine a agricultura, a pecuária e o extrativismo do coco babaçu, sempre otimizando os espaços da propriedade.

Solução Adotada

Uma das soluções adotadas para contribuir com a melhoria das condições de vida dessas famílias é o desenvolvimento agroextrativista, que consiste em um sistema de produção que combina sinergicamente culturas anuais (arroz, milho, feijão) com árvores madeireiras e frutíferas, com a pecuária de pequeno, médio e grande porte e com o extrativismo do coco babaçu. Esse sistema vem sendo desenvolvido a partir de uma discussão profunda sobre o uso dos recursos naturais de forma sustentável e a agregação de valor a esses recursos, promoção e prospecção de produtos, organização da juventude para a verticalização de produtos ligados ao sistema, sempre se preocupando com o desenvolvimento de sistemas de cultivo que não impliquem uso de queimadas, derrubada de palmeiras de babaçu e uso de agrotóxicos. A metodologia utilizada tem possibilitado um amadurecimento nas discussões sobre a questão de gênero na agricultura, tendo em vista que tais atividades envolvem o trabalho do homem e da mulher, e que a economia do babaçu é uma atividade predominantemente desenvolvida pelas mulheres quebradeiras de coco babaçu. As famílias de agricultores familiares são selecionadas para se inserirem na proposta por meio das organizações comunitárias, por intermédio de discussões coletivas, tendo como critério a participação nas organizações locais. As mesmas são sensibilizadas sobre os impactos e os efeitos negativos ao meio ambiente e à saúde humana causados pelo uso das queimadas, agrotóxicos, adubos químicos, máquinas pesadas, sementes híbridas e transgênicas. As famílias são capacitadas em técnicas orgânicas e agroecológicas de cultivo, com inicio de 0,3025 hectares por família, de forma que a produção seja realizada valorizando a integração do trabalho familiar e substituindo gradativamente as práticas de insumos convencionais por ecológicos. Esse processo formativo é contínuo através de reuniões, grupos de estudos, seminários temáticos, oficinas práticas, visitas técnicas, monitoramentos, intercâmbios internos e externos. Assim como realização de campanhas ambientais permanentes contra o uso de queimadas e agroquímicos e a favor da reserva legal e das matas ciliares. O acompanhamento e monitoramento são realizados por membros das diretorias das organizações comunitárias, assessoradas por uma equipe de técnicos com formação diversificada, que busca valorizar o conhecimento e os saberes locais das famílias. Para cada família inserida na ideia da produção agroextrativista é viabilizada uma ajuda de custo para os três primeiros anos, sendo 40 diárias (preço pago na região) no primeiro e segundo ano, e 20 diárias no terceiro ano. Anotação pelas famílias de toda produção existente nos sistemas, e posterior sistematização e comparação com o ano anterior e com a roça do sistema de corte e queima. A assessoria técnica é realizada mensalmente a cada família, na qual o técnico visita o sistema de produção familiar acompanhado com os membros da família, fazendo as recomendações técnicas de condução e gestão do sistema produtivo. Em muitos casos há visitas emergenciais, que podem ocorrer até três vezes por mês com a mesma família.

Resultado Alcançado

Diminuição do uso de agrotóxicos, redução e controle de queimadas controladas na produção de alimentos nas áreas de atuação da ASSEMA; agricultores familiares utilizando os métodos de controles alternativos de pragas e doenças das plantas e animais; conservação e valorização das palmeiras de babaçu, matas ciliares e as reservas legais; diversificação de produção de alimentos ocasionando melhoria da segurança alimentar e nutricional; recuperação e resgate de uso de sementes tradicionais.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Lago dos Rodrigues / Maranhão01/2003
Lago do Junco / Maranhão01/2003
São Luís Gonzaga do Maranhão / Maranhão01/2003
São Luís Gonzaga do Maranhão / Maranhão01/2003
Esperantinópolis / Maranhão01/2003
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Assentados rurais
Quilombolas
Quantidade: 0
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
técnico em agropecuária1
agrecológo1
geógrafo1
técnicos em desenvolvimento4
historiadora1
sociólogo1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

7 computadores ( 5 ligados a internet via rádio) 3 notebooks Veículos : 4 motocicletas de 150 cm e 01 L200 2 linhas telefônicas 1 retroprojetor 1 geladeira 1 freezer 1 fogão 1 aparelho de TV e vídeo Móveis de escritório. OBS: Todas as unidades de geração de renda associadas à ASSEMA contam com a sua infraestrutura, sempre carecendo de melhorias, adequações e logística: Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Lago do Junco - COPPALJ: Dispõe de 1 prensa adaptada às condições locais para a extração de óleo de babaçu; 1 caminhão para coleta das amêndoas; 1 linha telefônica; 2 motos; 1 balança de pesagem de cargas; 1 propriedade agrícola de 2 ha na cidade e outra de 51 ha na meio rural; 1 máquina trituradora de forragens para animais; 8 cantinas (postos de compra de amêndoa do babaçu e venda de gêneros alimentícios secos e molhados). Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas de Esperantinópolis - COPPAESP: Dispõe de um moinho também adaptado para a moagem do mesocarpo do babaçu e uma máquina para a embalagem da farinha de mesocarpo de babaçu; 1 secador de mesocarpo; 4 núcleos de produção de mesocarpo com prédios no meio rural; 1 sede própria na cidade; 1 linha telefônica, 1 motocicleta.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

O valor para implantar uma unidade de produção dependerá dos componentes que integrarão a unidade e dos produtos finais pretendidos. O valor abaixo se refere a uma estimativa de custo para implantação e manutenção de uma unidade de produção familiar que envolve a produção de matéria-prima associada ao processamento, beneficiamento, organização, gestão gerenciamento e comercialização: R$ 377.000,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) -
Ministério do Meio Ambiente (MMA)Secretaria do Agroextrativismo e do Projeto Demonstrativo da Amazônia (PDA)
AVEDA (Estados Unidos)comércio justo e solidário
Body Shop (Inglaterra)aquisição de produtos Babaçu Livre
Programa de Pequenos Projetos Ecos sociais (PPECOS) -
Impacto Ambiental

- Recuperação de áreas com solos degradados (40 ha) - Área com certificação orgânica (8.500 ha) - Introdução de plantas madeireiras e frutíferas - Preservação de igarapés e outros corpos d’água - Aumento da população de pássaros em áreas dos assentamentos - Controle da caça e pesca predatória - Redução de queimadas e agrotóxicos - Controle biológico de pragas e doenças - Maior consciência ecológica da população - Maior controle na derrubada de palmeiras pela Lei Babaçu Livre.

Forma de Acompanhamento

Acompanhamento e avaliação com visitas técnicas e políticas, avaliação e planejamento anual, reuniões das organizações sócias e parceiras, assembleias gerais da ASSEMA e das organizações locais (grupos informais, associações de jovens e mulheres, cooperativas, escolas, famílias agrícolas), planejamento estratégico a cada três anos. Monitoramento dos empreendimentos de geração de renda feito com plano de negócios, de produção, reuniões estratégicas técnicas e políticas.

Forma de Transferência

A transferência da experiência se dá por meio de palestras, seminários, oficinas, cursos práticos, divulgação das ações da ASSEMA em documentos, videos e cadernos de práticas alternativas do agroextrativismo, e produção de materiais educativos. Outro mecanismo são os estágios e intercâmbio entre as diferentes experiências.

Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

A ASSEMA ainda atua na viabilização de políticas públicas voltadas para o meio rural e que contribuam com o desenvolvimento local das famílias e comunidades de sua área de atuação: saneamento, captação e distribuição de água potável para as comunidades, habitação, educação infantil, educação de ensino fundamental, médio e superior, orientação em sexualidade, políticas ligadas às comunidades quilombolas, Organização e formação política da Juventude Rural. Participa de Conselhos como: CONSEA - CONSELHO NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL. CTAO/MAPA - Câmara Técnica de Agricultura Orgânica. RAMA - Rede Agroecológica do Maranhão. GTA BABAÇU, UNICAFES - União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária: REDE CERRADO.