Apicultura sustentável: gasificador ácido oxálico Brasil

finalista 2013

Instituição
Associação Dos Apicultores De Caçador e Região- ACAP
Endereço
Av Barão do Rio Branco, 327 C/ACIC Caixa Postal 1004 - Centro - Caçador/SC
E-mail
consultor@acic.com.br
Telefone
(49) 3563-0612
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Walter Bartholet(49) 3567-6265brasbee@gmx.net
Resumo da Tecnologia

Gasificador de ácido oxálico sem uso de gerador ou bateria, usando o próprio fumegador do apicultor como gasificador. Tendo uma eficiência ideal, permitindo aplicar a dosagem exata para combate do ácaro Varroa destructor. Viabilizando o controle biológico deste parasita nas abelhas africanizadas.*{ods2},{ods3},{ods8}*

Tema Principal

Alimentação

Tema Secundário

Renda

Problema Solucionado

Com as aplicações de tecnologia na apicultura, nas últimas décadas, nas abelhas africanizadas, detectou-se que as mesmas não traziam resultados satisfatórios. Em 2007, a Acap consegui comprovar que a Varroa destructor causa prejuízos às colmeias de abelhas africanizadas. Testes realizados com tratamento de ácido oxálico durante dois anos, tiveram como resultado menor perda de colmeias e maior produtividade quando comparado com colmeias não tratadas contra a Varroa. A partir de 2009, mostrou-se que a nossa abelha africanizada realmente tem problemas sanitários devido às altas perdas registradas nacionalmente. Muitos pesquisadores apontam os agrotóxicos, poluição ambiental, doenças viróticas e bacterianas como principal causa das perdas. A nossa experiência mostra que, se conseguirmos manter a infestação da Varroa baixa nas colmeias, conseguimos impedir doenças e futuras perdas de abelha. Infelizmente, controlar a Varroa hoje é um desafio para apicultura no mundo todo. De muitas formas de controle existentes, uma se destacou nos últimos anos: o uso do ácido oxálico gasificado. O desafio da Acap foi adaptar esta tecnologia para a realidade da nossa apicultura.

Objetivo Geral

Disponibilizar ao apicultor uma tecnologia de baixo custo, prática, ecológica e eficiente no controle da Varroa destrutor, contribuindo para o desenvolvimento da apicultura sustentável no Brasil.

Objetivo Específico

# Divulgar a tecnologia através de instituições ligadas ao setor, mídia e encontros, seminário e congressos de apicultura. # Montagem de um vídeo que ajuda o apicultor a desenvolver os acessórios e uso transformado do próprio fumegador temporariamente num gasificador de ácido oxálico. # Treinamentos dos apicultores para uso adequado da tecnologia para obter bons resultados. impedindo que os apicultores, mediante os problemas encontrados ultimamente, recorram a produtos e técnicas impróprias que prejudiquem as abelhas e a imagem da apicultura (ex.: uso de antibióticos, produtos transgênicos, acaricidas químicos, que geram altos custos e pouco resultado). # Com o controle da Varroa, iniciar a produção de material vivo para ampliar as colmeias e vender material vivo para outras regiões do Brasil. # Aumentar a rentabilidade do setor aumentando a produtividade e diminuindo perdas de colmeias.

Solução Adotada

O ácaro ectoparasita Varroa destructor é atualmente a praga apícola que mais causa prejuízos na apicultura mundialmente. Classificado inicialmente como Varroa jacobsoni. foi descrito pela primeira vez em 1904 e renomeado posteriormente como Varroa destructor. A Varroa é um parasita natural da Apis cerana do continente sul asiático, infelizmente hoje disseminado em todos os continentes, exceto Austrália e Nova Zelândia. Provocando os maiores prejuízos na apicultura profissional, afetando tanto crias como abelhas adultas, tornou-se parasita de todas as sub espécies de Apis mellifera. Transmitindo doenças e provocando desequilíbrio nas castas das abelhas. No Brasil, essa praga foi introduzida em 1972, dispersou-se rapidamente em todo território nacional. Foi justamente na época que o Brasil reativou a apicultura nacional, adaptando-se e desenvolvendo novas técnicas para trabalhar com a abelha africanizada. Esta adaptação à abelha africanizada na prática era deixar ela se reproduzir de forma natural, não criar enxames artificiais, não criar rainha, com uso mínimo de técnica, pois a abelha africanizada rejeitava o uso de técnica. O desenvolvimento do Fumegador SC Brasil (máquina de fumaça) para conseguir trabalhar com estas abelhas é um símbolo desta época. A partir de 2001, devido a demanda internacional pelo mel brasileiro, iniciou-se o uso de técnicas de manejo em maior escala como alimentação artificial, criação de rainhas, migração para floradas produtivas, formação de enxames artificiais, que interferem no ciclo natural da abelha provocando um desequilíbrio entre infestação de Varroa e até mesmo doenças. Nos últimos anos, taxas de infestação de Varroa aumentaram e, em algumas regiões brasileiras, já se assemelham às observadas na Europa. Nos últimos cinco anos, suspeitamos que a Varroa pode ser responsável por mais de 50% das perdas de colmeias no Brasil. Para minimizar os efeitos da infestação de Varroa, vários acaricidas sintéticos foram desenvolvidos, como os organofosforados e piretroides usado em outros países. Entretanto, nos últimos anos, o uso contínuo desses produtos tem acarretado altos níveis de resistência nas populações de ácaros além da possibilidade de esses produtos contaminarem o mel e a cera no interior da colônia. Tal situação tem incentivado estratégias para minimizar a resistência e o acúmulo desses resíduos químicos na cera e no mel. Assim, é crescente o interesse de pesquisadores e apicultores por alternativas de combate às doenças e pragas, entre as quais está o controle de Varroa por meio de produtos naturais e entre eles se destacou o ácido oxálico. Como todo medicamento, a sua dosagem e aplicação correta é fundamental para boa eficácia. A partir de 2007, a Acap testou ácidos orgânicos e óleos etéreos em apiários e teve os melhores resultados com o uso de ácido oxálico, independentemente da forma de aplicação: pulverizada em água ou xarope ou Gasificada. Após quatro anos de testes e uso do ácido oxálico, desenvolvemos o nosso próprio gasificador de ácido oxálico por uma simples modificação no fumegador. Usa-se uma lata dentro do fumegador com uma alça. O ácido oxálico é pesado e posto em sache de papel: para colmeias fracas, 2g de ácido; colmeias fortes 3g; núcleos e enxames 1g. Acende-se o fumegador normalmente, para a combustão usa-se carvão até a metade do fumegador, depois se coloca a lata e coloca-se mais algum carvão em volta da lata. Assim que o fundo da lata atingir uma temperatura acima de 100°c, pode-se iniciar o trabalho, colocando um sache de ácido oxálico conforme vigor da colmeia, tampando o fumegador e acionando o fole, se impura o gás oxálico para dentro da colmeia. Após adquirir prática, o tratamento de cada colmeia dura proximamente 1 minuto. Recomendamos de dois a três tratamentos no inicio da entressafra e dois a três na saída, procurando sempre as épocas em que as abelhas não tenham postura operculada para atingir eficiência máxima.

Resultado Alcançado

Com as aplicações exatas podemos impedir perdas de enxames por Varroa e doença próximo a 90%, e não somente impedir perda de colmeias, mas aumentar a produtividade por colmeia em até 50%. Quando a abelha inicia a temporada com uma infestação alta de Varroa, após uns 60 dias o enxame despenca significativamente, pois as abelhas vão sacrificar as pupas e abelhas adultas que foram picadas pelo ácaro, para conter e tentar controlar a infestação. Neste momento, o apicultor tem uma redução significativa na produtividade destas colmeias, que podem entrar em colapso no inicio no meio ou no final da temporada em caso de infestação alta. As colmeias que iniciam a temporada com infestação baixa ou praticamente zero conseguem manter uma população alta durante toda temporada, aproveitando qualquer momento de fluxo de néctar para produzir reservas de mel. Colmeias populosas durante a temporada é a base principal para uma apicultura que visa alta produtividade ou produção de enxames artificiais e rainhas para ampliação de colmeias. Além da nossa experiência, um exemplo prático é a Nova Zelândia e Austrália, que são livres de Varroa e produzem o material vivo (enxames e rainhas para os grandes apicultores do Hemisfério Norte, Oriente e até mesmo para alguns projetos na África, conseguindo atingir ainda altas produtividades de mel). Se existia Varroa nestes dois países, provavelmente eles não enviariam os milhares de pacotes de abelhas para o Hemisfério Norte todo ano e com o colapso das colmeias dos últimos anos o mundo teria um grande déficit de polinização, afetando a produtividade de culturas agrícolas com consequente falta de produtos apícolas, principalmente no Hemisfério Norte. Da forma que a Austrália e Nova Zelândia contribuem com a apicultura mundial o Sul e Sudeste do Brasil poderiam produzir material vivo para as outras regiões do Brasil, principalmente Nordeste e Norte, para repor perdas das estiagens e períodos longos de chuva. Para isso, é fundamental ter abelhas sadias. Conseguindo isso podemos, sim, ser um líder na apicultura mundial. O uso do sache de papel é fundamental, pois o ácido somente vai iniciar a evaporação depois que o fumegador já estiver fechado. A queima do papel demora alguns segundos, isto garante que o vapor não seja disperso evitando também a necessidade de uso de máscaras. Aplicar a dosagem exata é fundamental para ter sucesso no controle da Varroa.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Caçador / Santa CatarinaFazenda Serro Agudo Distrito de Taquara Verde04/2012
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores
Agricultores Familiares
Alunos do ensino médio
Empreendedores
Famílias de baixa renda
Jovens
Produtores rurais - Médios
Produtores rurais - Pequenos
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Walter Bartholet1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Um fumegador Grande tipo SC Brasil, uma lata que não seja de cobre com tamanho aproximado de 10 cm de diâmetro e 14 cm de altura ideal, de material inoxidável, fazer uma alça na lata de arame para facilitar a retirada da mesma para limpeza após usar em muitas colmeias. Carvão para a combustão não muito grosso para facilitar o uso dentro do fumegador o carvão e utilizado para não produzir fumaça que se misturaria com o gás Oxálico.O ácido oxálico se consegue em farmácias de manipulação ou indústrias químicas teor acima de 99% indicado, os saquinhos monolúcidos se consegue em comércio de embalagens ou podem ser feitas de papel. Na manipulação do acido não embalado usar luvas e óculos de proteção necessário uma balança que pesa de grama em grama para pesar as doses de 1g, 2g e 3g estes envelopes o apicultor consegue confeccionar artesanalmente ou comprar os saquinhos monolúcido de papel. Em grande quantidade futuramente planejaremos fazer os sache de papel os mesmos que existem para o açúcar. Comprar uma maquina ou terceirizar este embalamento e pesagem. Uma vez o fumegador abastecido e acesso o carvão e a lata dentro o ácido oxálico pesado e embalado nos sache ou saquinho de papel está pronto para fazer as aplicações nas colmeias.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Fumegador R$ 80,00; Lata com Alça R$ 5,00; um saco de carvão R$ 15,00; saquinhos papel monolúcidos R$ 14,00; 1 kg de ácido oxálico R$20,00. Se os saches forem produzidos em escala industrial por uma maquina de sache de papel necessita investir no mínimo uns R$ 15.000,00 para atender apicultores de todo estados ou país. Luvas 10,00 óculos de proteção 20

Impacto Ambiental

Por se tratar de um ácido orgânico, existente nas frutas, verduras e no próprio mel, não há contraindicações em sua aplicação. Como ele está concentrado próximo a 99%, deve ser evitado a inalação para impedir queimaduras internas, a concentração do ácido oxálico na colmeia após dois dias está equilibrada novamente. O uso do gás oxálico somente na entressafra não interfere no comportamento natural das abelhas na sensibilidade de detectar pragas e doenças pela própria colmeia.

Forma de Acompanhamento

O apicultor ou técnico poderá pegar amostras coletando umas 300 abelhas por colmeia dos apiários tratados. colocar estas abelhas em álcool e depois passar por uma peneira onde passam os ácaros, mas as abelhas não, desta forma ele saberá a infestação de suas colmeias e, comparando com apiários prova onde não foi feito nenhum tratamento, ele saberá se este tratamento está dando resultado, assim, como no decorrer da temporada, deverá refletir na produtividade e na sobrevivência das colmeias.

Forma de Transferência

O nosso apicultor, pesquisador e técnico apícola está habituado a não levar as doenças em consideração por ter considerado a abelha africanizada livre destes problemas durante décadas. Para se inteirar novamente, é fundamental que nos congressos nacionais e internacionais busquemos tecnologias e informação para conseguirmos nos posicionar e saber o que está acontecendo com nossas abelhas. Este é um trabalho que deve acontecer de forma paralela entre institutos, produtores e técnicos. Enquanto este hábito não estiver desenvolvido, o ideal é tratar esses temas nos encontros de apicultores, congressos e nas revistas apícolas nacionais e internacionais, divulgando pesquisas sobre o tema, que, na prática, a cada dia vem acontecendo de forma crescente.

Anexos da tecnologia
LegendaArquivo/Download
informações gerais da apiculturaBaixar
Modelos de Gasificadores de outros Paisesdownload
Varroa Moralidade e ração natural das abelhasdownload
produçao de mel apartir de 1989Baixar
de 2005 a 2010 poucos avanços na produção queda nos ultimos dois anosBaixar
Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

“Na última década houve melhorias fundamentais que deveriam ser tomadas há 50 anos, não foram tomadas devido às dificuldades com a africanização da nossa abelha, tomamos o rumo da apicultura alternativa. Os países que conseguiam expandir através de uso de técnicas com alimentação e fármacos estavam levando a abelha na palma da mão e a abelha conta com esta ajuda do apicultor. No momento que o apicultor não consegue manter esta realidade artificial o sistema entra em colapso e poucas colmeias sobrevivem. No Brasil foi diferente aplicamos e divulgamos manejos que desrespeitam a natureza da abelha e não controlamos as doenças o colapso das colmeias foi similar. Mas temos meio caminho andado. Fica a esperança de fazer a diferença.”